segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Andar é coisa de velho. É tempo de correr.

Hoje pela manhã fui correr, ato que não faço há muito tempo. Acordei muito cedo para um final de semana, e antes que o sol me torrasse, parti. Logo ali, perto de casa, numa pista desfalcada pela chuva comecei a andar, tendo em minha consciência a voz da Danila me dizendo que “Andar é coisa de velho! Você tem que correr!”.
“Tenho que correr”.
Confesso que sempre odiei correr. Sempre, desde criança, passo mal quando corro demais e me causa uma baita enxaqueca. Mas eu estava obstinada. Se eu quisesse perder peso e botar o meu corpo em outro ritmo, era o preço.
Aquilo me trouxe a lembrança meus dias no sul de Minas Gerais, quando aos términos das aulas da tarde trocava de roupa e descia em direção da estrada de terra próximo à praça de esportes do colégio. Nunca corri, apenas andava, e andava... Depois ficava ao fundo da praça, na lateral do campo de futebol, perto dos pinheiros, fazendo abdominais e alongamentos para então treinar golpes de capoeira. O sol punha-se diante de mim, dizendo: “Tchau! Até amanhã!”, e eu parava, querendo dizer com o meu silêncio que era hora de partir como o sol.
Lembrei disso enquanto corria. Então, ouvi uma voz ao longe:
- Aêeee!... – Era a Danila passando por ali com sua irmã.
Dei risada e continuei minha trilha.
A corrida fez-me tão bem! Assim também fez o conselho de minha amiga, de que eu não posso andar – eu tenho é que correr, pois andar é coisa de velho, ou, das coisas velhas.
É correr, com enxaqueca ou não, pois no fim quem agradece é o corpo. O corpo, se é que me entende.




Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

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