quinta-feira, 2 de junho de 2011

Os monturos do treme-treme

Assim que escutei na rádio que finalmente fora demolido o edifício São Vito, na Avenida do Estado com a Avenida Mercúrio, onde a sua frente fica o Mercadão Municipal de São Paulo, senti um misto de nostalgia da infância e alívio porque jaz uma construção que tinham muitas histórias tristes para contar.
Conheci muitas pessoas que moravam nas quitinetes do apertado e lotado prédio que chamavam de “Treme-Treme”, justamente pelos terrores daquela habitação de fachadas verdes e encardidas. Muitos eram estudantes do colégio São Paulo que ficava a dez minutos do local. Só descobri que o nome do edifício era o mesmo do santo cultuado no bairro assim que parei em frente com minha irmã, que esperava uma coleguinha que subiu e desceu do seu apartamento para lhe trazer um objeto emprestado.
As histórias de atrocidades do lugar eram várias. Era certa boca do lixo vertical lotado de pessoas da noite, ladrões, promíscuos e assassinos. Exceto pelas famílias que conheci, sendo muitos deles trabalhadores no meio da dor. Uma vez ouvi um relato de uma coleguinha de sala num dos incêndios do lugar, quando teve que pular o fogo que alcançou as escadas, de um andar para o outro, a fim de escapar da morte. Numa outra vez explodiu um botijão de gás que arrancou o quadrado da fachada do lugar. Assassínios, perigos, e diversos fatos que deviam ser derrubados.
No mesmo fim de semana da notícia passei em frente da demolição completa. O edifício São Vito eram montes enormes de entulhos, monturos de histórias que mereciam esse fim. Do mesmo modo será na terra a respeito de tudo o que é ruim. Certamente não sobrará, assim como o São Vito, pedra sobre pedra.

 
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

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