sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O estudante inglês

Por duas vezes vi este personagem no metrô londrino. Na escada rolante, logo atrás de mim, um menino de uns nove anos tendo em seguida a sua mãe que o instruía num sotaque britânico tão agradável que ao lembrar parece que escuto a sua voz. O menino apenas ouvia introspectivo. Outrora, um rapaz de quatorze anos estava encostado a um canto do vagão, olhando para fora as casas geminadas da periferia.
Um estudante inglês veste-se assim como nos filmes que assistimos no Brasil. Ternos escuros e gravatas listradas na diagonal, vermelha e outra cor. Vermelhas também são suas bochechas como que borrifadas numa pele branca, tão branca como a cútis das mulheres das canções de amor dos trovadores. Vermelho e branco.
Em nenhum dos dois vi momentos de alegria ao pouco de suas vidas que filmei. Nem medo ou coragem, nem alegria ou tristeza, como em alguns filmes. Foi só o que vi.
Também a caminho da Oxford Street, vi do segundo andar do ônibus muitos formandos passando para a sua colação de grau naquela via cheia de escolas superiores. Suas becas pretas com a faixa lilás eram similares a que usei na minha vez. Neles não havia nenhuma euforia “brazuca” de mais uma conquista de um alvo atingido. Apenas um momento.
Da imagem do estudante inglês fica a figura. Faz-me lembrar que um pequeno momento, ainda que curto, deve ser curtido. Assim como meus instantes na cidade inglesa, em cada ponto turístico que pisei. Talvez um dia escreva mais sobre outras trivialidades britânicas, não aqui, pois são coisas demais.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

Nenhum comentário: