sábado, 25 de agosto de 2012

Reflexões no surdo


Surdo é um instrumento de percussão que sempre mexe comigo. Todas as vezes que é tocado na adoração é como se houvesse uma retumbância, um chamamento de guerra, de batalha, um rasgar dos céus. Seu som é mais alto do que o bumbo de uma bateria convencional. Entenda o motivo de sua força.
Sempre observei as pessoas que o tocam, elas parecem extasiadas, centradas, entregues ao tocar ritmado de suas batidas. Não querem ser incomodados e não se podem ter momentos de interrupção, eu entendo isso.
A vontade que eu tinha de tocar o surdo era grande. A oportunidade surgiu numa adoração espontânea que o grupo de jovens fez. Cada jovem tocava um tipo de instrumento: canto, palma, cajon, pandeiro, piano, violão, pequenos instrumentos de percussão. Peguei dois pequenos instrumentos, mas percebi que estava intenso, e ousei tocar o surdo.
Ali era intensidade. Quando bati, percebi força, ritmia espiritual. A precisão era essencial para que não houvesse toques errados e dispersasse todos os outros. Meus pensamentos eram o principal alvo para sair dos trilhos, e passei a refletir que qualquer distração era fatal, desde atenção a minha pessoa, soberba, potencial em mim mesma. Entendi o porquê há uma ligação de esvaziamento das pessoas que tocavam o surdo, e entendi que quando há o esvaziar de si, há a batida certa, e muitas outras surgem quando nosso espírito está ligado nos céus.
Descobri então que o meu coração é um surdo.
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

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