quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Finalmente Nova Iorque

Eu só queria que o Frank Sinatra parasse de cantar na minha cabeça, que as luzes da Time Square se apagassem e eu pudesse dormir. Eu estava exausta.
Cheguei a Nova Iorque e tomei um susto de primeira dentro do metrô da Penn Station, que lembra muito embaixo do Minhocão em São Paulo. O blues tocado pelos artistas da estação se misturou com o cheiro de urina e muita movimentação ao passar do trem que veio de Nova Jersey para a subway. Quase deixei meu celular cair na linha do trem de tão nervosa quando o trem número A parou na estação. O que pegaria era o C, direto para o lugar onde ficaria.
O frio apresentou-se a mim sem muito prazer desde a saída do aeroporto, e me bateu na cara na 103th street. Entrei no hostel simples, barato, com a lanchonete interditada pela prefeitura de Nova Iorque. Meu quarto era no 4º andar – sem elevador. Alegrei-me muito com o rapaz que falava inglês que me ajudou a subir com minha mala. Ao entrar no quarto pequeno que constava um beliche, uma moça negra falava ao celular no canto do quarto perto do aquecedor. Era uma francesa reclamando horrores do lugar. Conseguimos desenvolver uma conversar compreensível com o nosso inglês com manias latinas. A menina reclamava e reclamava do lugar, e eu apenas lhe disse que hostel era hostel, assim, muitas vezes medíocre, em qualquer lugar do mundo. Deixei as minhas malas com cadeado no quarto, guardando e orando por algum receio de não ver mais as minhas malas ali.
Segui para a Broadway Avenue, tomando aquele estúpido frio que nunca senti, para pegar o metrô da linha 1 para a Time Square. Ali encontraria uma amiga. Na estação 42th street eu desci na movimentada estação. Ao sair, tomei mais um tapa na cara das luzes da Broadway, e me confundi entre ruas e avenidas, pois tudo são máscaras luminosas.
Não havia comido nada. Comprei um muffin de banana na saída do avião e dei duas beliscadas que não me deram força alguma. A loucura do Jet lag me deixou confusa desde a Califórnia, e confundi todas as refeições. Seja lá que horário de comer era aquele, eu tinha que me manter de pé. Comi um pedaço de pizza; encontrei minha amiga e fomos tirar fotos numa das esquinas mais famosas do mundo.
Ela fez-me uma pergunta quando fomos a um restaurante por ali mesmo: Se eu moraria em Nova Iorque. Disse que não, pois era loucura demais tudo o que tinha visto até aquele momento, e que jamais trocaria São Paulo, ainda que pudesse comparar em muitos fatos uma cidade com a outra.
Despedi-me, fui para o hostel. Minhas malas ainda estavam lá. A francesa foi reclamar em outro lugar. Dormi quentinha, cansada, agradecendo a Deus por conseguir chegar naquela cidade onde eu viveria grandes aventuras.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

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