terça-feira, 9 de abril de 2013

Um pensamento sobre Robert Frost no Harlem



Talvez você nunca tenha ouvido falar desse poeta americano. No último ano de minha faculdade de Letras estudei literatura americana, e Robert Frost e seu poema modernista denominado “The road not taken” (O caminho que não escolhi) foi um dos que analisamos. O poema interessou-me, por isso a lembrança.
No fim destas linhas haverá esse poema. Não corra para lá tão eufórico. Vou dizer ainda o porquê do Harlem.
Na minha primeira manhã em Nova York procurei na internet a farmácia mais próxima do hostel em que me hospedava. Precisava atravessar o Central Park para comprar cosméticos e tomar café em algum lugar naquele frio escabroso daquela manhã cidade onde todo mundo quer estar no frio. Vesti tudo o que podia. O sol não me aquecia. Sai pela esquerda e direita no final do Central Park, onde já era o Harlem. Como todo bom turista, quis fotografar tudo, filmar tudo... Foi numa escolha de dois caminhos que lembrei e gravei sobre Robert Frost.
Sabe que dois caminhos todo homem vai ter que escolher. Talvez os dois apresentem-se iguais, em alguns aspectos semelhantes, mas não são. É como o caminha da luz e o do negrume. Escolhemos um deles para toda vida. Não escolhemos andar com Jesus ainda que não o percebamos nos caminhos de Emaús de nossas vidas, mas Ele sempre vai estar lá caso decida com Ele andar. Mas há outro caminho que pode ser um tremendo buraco negro. Vamos andando pelas bordas, achando que aquele atrair é bobo e que nunca vai nos sugar. Mas é como nadar contra a cachoeira, contra as cascatas de Foz do Iguaçu achando que nunca vai cair. E cai. Pois saiu do limiar. E então, o caminho que escolhemos parece sem volta.
Enquanto há respiração, há salvação. Mas entenda: daquele outro caminho de vida, já se perdeu todo o prazer de se pisar as folhas secas, de viver toda aquela diferença prazerosa de se andar com Deus.
Veja o vídeo. Podemos andar em segurança por um caminho ou vivermos ausentes do que Deus tem para nós.

O CAMINHO QUE NÃO ESCOLHI – ROBERT FROST

Num bosque, em pleno outono, a estrada bifurcou-se,
mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria.
Assim, por longo tempo eu ali me detive,
e um deles observei até um longe declive
no qual, dobrando, desaparecia...

Porém tomei o outro, igualmente viável,
e tendo mesmo um atrativo especial,
pois mais ramos possuía e talvez mais capim,
embora, quanto a isso, o caminhar, no fim,
os tivesse marcado por igual.

E ambos, nessa manhã, jaziam recobertos
de folhas que nenhum pisar enegrecera.
O primeiro deixei, oh, para um outro dia!
E, intuindo que um caminho outro caminho gera,
duvidei se algum dia eu voltaria.

Isto eu hei de contar mais tarde, num suspiro,
nalgum tempo ou lugar desta jornada extensa:
a estrada divergiu naquele bosque – e eu
segui pela que mais ínvia me pareceu,
e foi o que fez toda a diferença.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

Nenhum comentário: