terça-feira, 12 de novembro de 2013

A espada do He-man: a justiceira lá de casa

Nos meados dos anos 80, na desesperadora missão de minha mãe em educar eu e meus três irmãos, surgiu de repente a terrível solução de seus problemas. A espada plástica réplica similar a do He-man – a justiceira lá de casa.
Certa feita, quando meus irmãos mais velhos haviam aprontado uma de suas azucrinações, eles haviam escondido aquela santa cinta clássica que minha mãe sempre prometia apimentar com sal e limão caso a coisa piorasse no fogareiro de nossas criancices.
Naquele dia, ela procurou e procurou sua arma de justiça:
- Cadê a minha cinta!
Num canto, meus dois irmãos sussurraram:
- Não se preocupa. Eu escondi a cinta dela direitinho...Hi,hi,hi...
Até que, de repente, surgiu aquela espada de brinquedo do meu irmão caçula nas mãos da minha mãe.
-Há!
-Óoooohhh!!!...
E lá veio a minha mãe, a She-ra de pele jambo. Meus irmãos, e eu, nas desobediências seguintes, aprendemos bem o que é receber uma espadada. Passei a detestar He-man, aquele Adam de cabelo medieval que de repente fazia bronzeamento artificial e mancava feito um gorila.
Na época não foi nada engraçado, mas hoje... Hoje entendo o valor de uns tapas de minha mãe. Ela amava seus filhos, e o que cobrava era obediência e não a próxima surra com sal e limão. O seu aviso eram seus olhos pequenos, resumidos, de canto, vigiando, e depois um som dos lábios que faziam “hã...hã!”.
Aprendi com ela. Faço as mesmas coisas. Tenho uma espada nos lábios que se chama a Palavra de Deus. Tenho nos meus olhos os olhos que fitam em Jesus, e vejo o quanto ele quer se manifestar em mim para com os outros. E com tudo isso, a qualquer um que exortar, haverá aquele mesmo amor, mesmo que eu queira, às vezes, temperar a pessoa com sal e limão.
Aliás, sal e limão purificam, e dá um sabor...
Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração

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