terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Um pé no oriente e outro no ocidente – Uma aventura turca – Parte 2

Eu acordei e já havia passado do meio-dia. Também pudera as horas tantas passadas na conexão em Roma e ao chegar à Turquia de madrugada além das horas na fila da imigração. Nós não existíamos de tanto cansaço. A minha amiga dormiu mais do que o normal como de praxe, e era bom, já que detesto o meu mau humor junto com o dela.
Eram exatamente 15h quando botamos os pés na rua estreita, mal nivelada e cheia de comércios locais ao redor. Os olheiros turcos sempre à volta nas portas de seus estabelecimentos para saber qual novidade sairia daquele hostel.
Estávamos morrendo de fome. Eu era a cicerone virtual, mas a única coisa que eu sabia de fato era que à esquerda era a Avenida Caddesi (Istiklal Caddesi) do bairro de Beyoglü. Saímos, olhamos ao redor, até que veio em nossa direção um rapaz alto, branco, de barba moldada. Ele apresentou-se como dono do hostel. Indicou-nos para comer ali do lado num pequeno restaurante parecido com um boteco de bairro paulistano. Ele de fato foi um cicerone: ajudou-nos a escolher um prato econômico com frango grelhado à moda turca, uma salada de feijão branco e um chá turco que geralmente é servido num copo do tamanho de um americano, mas moldado no meio como uma cintura feminina, e no canto do pires um torrão de açúcar.
Olhei a geladeira onde estavam refrigerantes populares e garrafas d´água numa prateleira, e na outra, copos de iogurte. Isso porque os turcos comem comida salgada, carne, com um copo de iogurte natural do lado como se fosse suco. Alguns pratos típicos também havia isso, pelo que degustei e aprovei. Iogurte, palavra turca, deu para entender.
Aquele cicerone nos chamou ao hostel de novo e nos deu mapas e dicas tão interessantes que nós guardamos muito bem. E lá fomos nós para a nossa aventura a pé pelos bairros de Beyoglü e Galatasaray.
A Istiklal Caddesi é uma avenida cosmopolita que mistura a cultura turca com a ocidental; lojas de doces turcos dos mais diversos entre lojas de grandes marcas típicas na Europa. Muita movimentação como a Avenida Paulista à noite, com músicos tocando seus alaúdes e tambores, moços jovens em parcerias e também famílias inteiras apresentavam-se, formando um círculo grande ao redor deles. Sempre tínhamos que ficar de olho e nos desviar das pessoas, dos mini coopers da polícia, do bonde que passava bem no meio da avenida.
Em todo tempo os homens turcos falavam diretamente a nós, cantando, olhando, sendo diretos, mas nunca avançando o sinal assiduamente. Nunca tinha visto homens tão atirados como aqueles, e, se falássemos que éramos brasileiras, seria pior, pois há muitas prostitutas brasileiras naquela cidade. “Sai pra lá, turcaiada, que nós somos de Deus!”. Ignoramos, andamos, e conhecemos aquela cidade, naquele dia, até o fim da Estiklal, descendo uma via como a Ladeira Porto Geral do centro de São Paulo, cheia de lojas de instrumentos musicais que no Brasil seria difícil de encontrar. Voltamos, paramos para comer um prato chamado Lahmacun, um tipo de pizza de carne com a massa bem fina.
A mãe de minha amiga disse para ela não ficar de noite nas ruas de Istambul. Eu sou adulta e poderia sair, mas aquela postura me contagiou puramente. Não que pretendia sair... Aquilo me soou cuidado dos céus.
Voltamos surpreendidas, certamente. Mas o melhor eu ainda vou contar.
Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração

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