segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Como Beatrix Kiddo

(Para ler essa crônica, esteja habilitado assistindo “Kill Bill 1 e 2”).
Hoje eu confesso os vários assassinatos que fiz com a espada da minha língua. Como uma Beatrix Kiddo, eu já matei com uma Hatori Hanzo tanto que talvez ultrapasse os 88 loucos que ela matou.
Tenho sangue na minha espada. O sangue de pisar fundo no acelerador sem controle até o carro bater, e esse pedal, tão sensível e tão estimulante, fez com que eu vitimasse dezenas.
Sim, eu tenho o poder da língua. Você também. O poder da vida e da morte.
Há na entranha de um guerreiro os “5 segundos”, que involuntariamente é ativado num momento de guerra. Por algum motivo, a espada se estende, e o corte certeiro e lançado.  É como um reflexo, uma potencialidade que corre nas veias dos braços e das mãos até o estender da espada. Mas isso pode ser fatal em casos de não necessidade.
Quem maneja uma espada afiada precisa controlá-la. Então aparece algum Pai Mei enviado do céu para arrancar os olhos do nosso temperamento descontrolado. Tais tratamentos intensivos são inevitáveis, até que a nossa espada afiada seja aplicada naquilo que devemos realmente retalhar.
Tudo é figurado, mas os machucados são reais. O que farei sendo uma Beatrix Kiddo?
Vemo-nos na escola do deserto diante do tentador. Interessante que foi Deus quem nos colocou lá. Vários testes vêm do querer mudar algo em si. O controle da espada, o saber que se pode acabar tudo em segundos nesse estopim, tornando o filme da vida em preto e branco do presente, nublando a cor do sangue de quem se dizimou. Por isso, dão-se socos em tábuas de madeira porque não saberemos o que virá depois. “Por quê?”, nada. Soque.
Quando ele vier para te aniquilar, verá outra Beatrix Kiddo. Não a assassina, e sim a heroína. Um Bill pode sussurrar em seus ouvidos que você sempre será o que foi criada para fazer, mas Deus gritará do outro lado, dizendo que agora a história é diferente.
Fulgazmente, duas laminas se batem, coreografam-se no ar, e seus guerreiros estão na última tentação.
- Vai-te daqui, Bill, pois só a Deus darei o poder da espada da minha língua.
O adversário reconhece a vitória, cai por terra, e se acaba ali mais um filme de nossa vida. É a história final? Não. É o começo de mais uma em que nunca mais matarás (só quando for preciso).
Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração.

Nenhum comentário: