segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Jesus Cristo no Arpoador

Se uma coisa eu tiver que falar da cidade do Rio de Janeiro é que o sol foi tomar um bronze na praia na Tijuca e espantou todo mundo para Copacabana. E tenho mais, e com gosto falo o que o Rio é: lindo, se souber achar.
A gente tem a velha mania de ver coisa ruim em qualquer lugar. Não vamos mais a Paris porque tem terrorista... Não vamos à Biblioteca de São Paulo porque morreram dezenas de pessoas no conflito do presídio... Com o Rio não é diferente, e ficam sempre falando: “cuidado com assalto”, “eles não gostam de paulista”. Não vi ninguém sendo assaltado, nem negando gentileza. Mas como boa paulistana, sei onde fica o cheiro do ralo da gente ruim. Em becos e caminhos estranhos não andei, sempre me movimentando atenta. Um olho no assalto e outro no mar na calçada da praia de Copacabana.
Ao chegar à estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, um jovem vendedor queimado de sol tirava uma self, sentado ao lado do monumento de rosto colado e soltando um sorriso largo.
- Ei, Vou tirar essa foto pra você!
- Pô, gata. Claro.
Pedi para ele tirar uma foto minha também com meu celular, então ele me alertou:
- Toma, linda... E cuidado com esse celular.
- Sim, vou vigiar aqui.  Obrigado.
Segui ao Arpoador e na praia descansei. É uma praia linda, de mãos dadas à Ipanema e de cotovelo com Copacabana. Fiquei deitada na areia sobre a canga como um neném recém-nascido que é badalado naqueles braços grandes de areia que era Deus soltando seu chiado por meio das ondas e me olhando de cima aonde palavra alguma correspondia. Quase dormi. Era a melhor sensação do mundo. Deus estava ali. Nada me falou apenas se mostrou.
Depois daquilo, qualquer um dispensaria a visita ao Cristo Redentor. Ele estava o tempo todo comigo, desde o calçadão até o Arpoador.

Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração.

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