segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Queimou-se a Nossa Língua

Apaixonei-me pela nossa língua portuguesa. Não à gramática, e sim o lego que ela faz na literatura. A língua espanhola não chega ao seu tato; a inglesa, nunca saberá como ela é redonda nos lábios, e todos os seus verbos difíceis que são, é para erudito querer.
Mas eu sinto que o brasileiro detesta a sua própria língua. Não você, quem sabe. Um povo que não ama sua própria língua, não mantém a sua identidade. Quando a Palavra de Deus diz que toda língua o confessará e o adorará, ela diz a respeito da língua portuguesa também. Contudo, dela fazemos pouco caso, e destruímos o nosso próprio patrimônio na terra.
Poucos são aqueles que a mantém. Professores, leitores, alguns cantores, tentam de tudo para que ela não seja extinta nos corações. Há anos atrás, foi feito em São Paulo na estação da Luz, o “Museu da Língua Portuguesa”. Um lugar interativo, com vídeos, explicações de como nossa língua portuguesa surgiu, poemas e poetas, escritores diversos passaram por ali em exposições temporárias, e que os visitantes (por várias vezes vi isso), impacientes e nada leitores, passavam direto sem saber de onde veio a sua identidade.
Você sabia que a Língua Portuguesa veio do Latim, língua dos Romanos? Lá na placa onde Jesus foi crucificado, foi escrito em Hebraico, Grego e Latim “Eis aqui o rei dos judeus”, três línguas mais conhecidas do mundo naquele período. O Latim foi disseminado pelo mundo antigo, e os Romanos não só estabeleciam o Latim clássico, mas mantinham as línguas provincianas, e daí surgiram outras línguas: francesa, o espanhola, italiana, e a última flor do Lácio inculta e bela que é a caçula língua portuguesa. Olavo Bilac transmitiu de forma bela a sua identidade. Até alguns poetas antigos preferiam a Língua Portuguesa para escrever seus poemas.
E lá nos painéis interativos do museu, você poderia ver o nascimento da inculta e bela, quando ela foi separada do galaico-portugues para ser somente dela, somente nossa, e desprezada por todos os seus filhos. A resposta disso é quando se queima o conhecimento passando direto por ela, sem saber que o nosso vocabulário foi enriquecido por árabes, franceses, africanos, americanos... O nosso vocabulário e rico! Nós é que somos pobres, cegos e nus.
Pois bem. Eis a revolta do queimar do nosso conhecimento sobre nós mesmos. Nós estamos realmente mal. Hoje mesmo o nosso museu queimou. Falava para qualquer um visitar aquele lugar para conhecer mais de si, da língua que Deus nos deu. Quando convidava, percebia certo ar de torcer o nariz como quem diz que aquele lugar é para as excursões de escola, e já passou seu tempo.
Não tem mais tempo. Agora, nem se sabe se reconstruíram nosso museu, porque a língua, meu irmão luso-brasileiro, nós já queimamos faz tempo.

Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração.

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