segunda-feira, 13 de junho de 2016

O Dia que Não me Preocupa

Quando eu pisei nesse país pela quarta vez, o agente federal perguntou-me se eu me casaria com um gringo. Maybe yes, maybe no, só Deus sabe, meu querido. Ele riu. Sua tranquilidade psicodélica estava filtrada pelo seu box que tocava Pink Floyd (The Dark Side of de Moon), a mesma droga que eu injetava na mente quando eu tinha apenas 14 anos. Saí do guichê rindo no canto da boca por tanto sincerar a minha vida do quem sabe diga “my love”. Mas não foi isso que decidi procurar aqui.
Um de meus familiares desejava que eu ali encontrasse um cristão numa igreja da cidade e tivesse uma menininha gringa num lar americano entre burritos, bacon e cookies. Daria o nome de Ashley, Queen, Viola... Que falariam com seu sotaque carregado e salientando “schwa” da fonética americana. Não é “schwa” das minhas filhas gringuinhas que procuro por aqui.
Enquanto estava no Brasil, boa parte dos amigos que sabiam de minha viagem apontavam e riam numa esperança no rosto. “Ah, você vai acabar casando por lá”. Ei, não é isso que vim procurar aqui.
No Brasil, o dia dos namorados. Aqui, o “Valentine´s Day” é apenas no começo do ano. Para que vou me preocupar, já que uma nova estação chegou para mim? E, para que vou me preocupar com a ansiedade dos outros que querem meu casamento, que estou velha, acabada, os cabelos brancos brotando na cabeça e que nunca foram pintados na vida, e isso é mais um sinal (da sua cabeça) que já passou da hora de eu matrimoniar? Meu amor, meu amor... Vai se catar... Eu estou na Califórnia.
Não se preocupe por mim, por mim não me preocupo. Nos pacotes de ansiedade, despacho meus pesos, e nessa leveza espero em Deus. Queriam jogar qualquer coisa em meu colo, gritando por vezes sem gritar que eu perdi a chance da minha vida. “Valha-me, Deus”, que mostre a todos vós essa profundidade. Jamais dormiria com um motor de ônibus tão barulhento que precisa sempre mostrar que é um busão. Subam todos, subam todos, mas não se incomodem com o barulhão.
Há um lugar mais profundo que o silencio do homem não consegue entender. Há um lugar secreto onde posso esperar a minha vez. Aqui ou em qualquer lugar do mundo posso esperar em Deus. O que valhe a pena é continuar correndo e correndo... E nessa corrida, sei que vou esbarrar em alguém. Não se preocupe, eu estou correndo.     

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

2 comentários:

Geisa Borges disse...

Isso mesmo amiga! Admiro o seu espírito "take it easy!" seja muito feliz e faça muitas amizades nessa sua fase linda da vida que está vivendo🙌🏽😘

Afonso Ragazzo disse...

🌻 🍀 🌺 🌷 😘😘😘