segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Do Angu ao Fondue, Tudo Posso

Caso hoje você apenas tenha comido arroz com feijão, angu doce no café da manhã e angu salgado no almoço, não se preocupe não. Amanhã, quem sabe, você estará comendo um prato especial em outro país do mundo, algo que você nunca viveu. Oportunidades abençoadas de Deus sempre aparecem aos que entram e saem de sua Presença, esses que sabem passar por qualquer situação.
Na minha pré-adolescência, logo que meus pais faleceram, eu e meus irmãos fomos morar com a minha tia e meu primo. O dinheiro que entrava não dava conta, e minha tia improvisava nessa história do angu. A gente não reclamava do que vinha no prato não, a não ser o quiabo, o rabanete, a buchada e, no caso do meu irmão caçula, a berinjela. A cena toda era na Vila Missionária, um bairro do subúrbio que vivíamos escapando dos “Billies The Kids”. Tudo podíamos, Deus era conosco.
 Muitos anos depois, numa porta que se abriu, peguei minhas malas e fiz uma viagem louca com uma amiga a Paris. Na rua do hostel havia um mercado Dia, muito popular em São Paulo. O ambiente era igual, mas a diferença eram os queijos dignos de Mercadão da Cantareira, patê de fígado de ganso (foie gras) e Chocolates Lindt como o nosso querido Lacta. Mas não. Naquele mesmo mercado comprávamos a preço de banana os nossos quitutes, mas o principal era a “Saladinha do Dia” – croutons, frango, alface... Comíamos isso para economizar e “andar por ai” numa cidade tão luxuosa e cara, o zelo tinha que ser constante.
Mas, numa tarde de muita fome, depois de desviar das pombas em Notre Dame e atravessar o canal do Sena, queria encontrar uma loja de cosméticos baratos. Perdi o rumo, entrei numa tal “Rue Saint Severin”, um beco estreito entre pequenos restaurantes e uma arquitetura mais antiga que a Brigite Bardot. De repente, paramos em frente a um modesto restaurante de canto, que apresentava em uma mesa e de forma bem atrativa um de seus pratos: “Fondue”. O queijo derretendo no foguinho do Richaud. Nos entreolhamos, era o sinal de “Hi five! Vamos ai”. Nunca pensei em estar em Paris, nunca pensei em comer aquela coisa de sabor inefável. Tudo podia. Aquele prazer foi Deus quem me deu.
Passado a viagem, numa preleção, ouvimos eu e minha amiga de viagem: “Sei passar necessidade, e também ser ter abundancia. Em toda maneira, e em todas as coisas aprendi tanto a ter fartura, como ter fome, tanto ter abundancia, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece”. Filipenses 4:12,13.
A amiga sussurrou em meu ouvido:
- Posso comer num dia “Saladinha do Dia” e no outro, Fondue.
Eu ri, chamei a atenção do preletor. Não era beijinho no ombro, foi apenas aquela situação.
Dou risada nos momentos de apenas arroz e feijão. Dou mais risada quando o inesperado acontece. Desde os tempos do angu, é Deus quem me fortalece.

 Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração

3 comentários:

valter gefali disse...

Beringela... o horror em forma de legume.... :(

Vandressa Gefali disse...

Hahahaha!!! Berinjela me lembra mangueira dos bombeiros, lembra?

Rebelc Ellen Oliveira disse...

Sensacional!!!